É curioso o malabarismo do anti-lulismo.
Primeiro, normalizam a candidatura do amigo Flávio. Ele seria menos radical que o pai Jair. Aí surge o governador Ronaldo Caiado. Ele seria menos radical que o amigo Flávio. No horizonte, aparece a candidatura de Eduardo Leite. Aí, já é chamado de centro-esquerda.
Somados, não dão nem meio Lula, nem meio Bolsonaro.
Mas insistem no anti-lulismo militante, endossando fake news, como a quebra de sigilo do filho de Lula, praticando o exercício diuturno do pessimismo, do mau agouro, esperando que, do horizonte flácido, nasça um sir Galahad da 3ª via. Seria isso?
E se o galante cavalheiro não se apresentar? Insistiram no amigo Flávio? Amigo que é amigo não repara nas abundantes provas de lavagem de dinheiro, de rachadinhas, de ligações com milícias, com o Escritório do Crime. Afinal, o Brasil é uma nação extrativista, cuja única utilidade é permitir o enriquecimento rápido dos que conseguem a tacada – termo com que o cunhado de Rui Barbosa designava as grandes jogadas especulativas.
É incrível a falta de ambição de construir uma grande nação. Em tempos que não voltam mais, lembro-me de conversas com grandes banqueiros, como Walther Moreira Salles e Aloysio Faria, grandes industriais, como Jorge Gerdau, Paulo Cunha, todos ambicionando serem grandes empresários de um grande país.
É impressionante o que a ultra financeirização fez com o sentimento de país, com a ideologia industrialista. As federações de indústrias se transformaram em reduto do bolsonarismo, o mais anti-industrial dos governos que já tivemos. A bancada agrícola não consegue entender a relevância das boas relações com a China, inclusive no aprimoramento da infraestrutura agrícola.
Essa perda de coesão se deve a três fatores.
O primeiro, o esvaziamento dos partidos políticos. Nenhum deles ousa um projeto nacional. É curioso, porque o PT tem o Instituto Perseu Abramo, já montou grupos relevantes de discussão de políticas públicas, mas nenhuma delas chegou ao nível federal, uma proposta de partido, menos ainda uma proposta de governo.
Um segundo fator de consciência seria a mídia. Mas, dela não se pode esperar nada, a não ser o imediatismo mais superficial e interessado.
Já não existem think tanks. A Universidade produz diagnósticos, estudos, mas descolados, sem um centro aglutinador das ideias.
Nesse marasmo total, a única forma de coordenação seria da Presidência da República. O país possui enorme potencial de ativos para montar políticas públicas. Há as universidades, os centros de pesquisa, as entidades representativas da indústria, comércio, agricultura e serviços, o cooperativismo, a agricultura familiar, as associações de municípios, o SUS, os conselhos de secretários estaduais.
Na área federal, há enorme potencial de pensamento criativo no CGCE, na Finep, no IPEA, no BNDES, na ENAP, nos ministérios.
Há um enorme ferramental para comunicação direta entre o Presidente e o povo. Franklin Delano Roosevelt promoveu uma revolução de opinião valendo-se de um programa radiofônico. Jair Bolsonaro expunha diariamente sua cavalar estupidez em lives diárias. Entrava na casa do cidadão comum com seu primarismo, mas ficava de casa.
Um plano de governo objetivo, explicado de maneira pedagógica pelo presidente, valendo-se das redes sociais e das redes de emissoras, poderia acordar o país. Há um país sedento por otimismo, borbulhando de amor próprio, descarregando suas expectativas em torcidas de filmes nacionais, de torneios, trazendo de volta a música regional.
Em suma, tem-se a receita e os ingredientes na mesa. Falta apenas o maestro condutor.
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MARCOS GERHEIM VILLELA VIEIRA
1 de abril de 2026 8:04 amPoderia começar cobrando desconto nos anúncios do governo nas mídias ou bônus em anúncios grátis
Bernardo
1 de abril de 2026 8:42 amLula não corre riscos desnecessários e, pela sua trajetória, sabe que precisa assumir a batuta e reger a orquestra novamente. O tempo disso está chegando e refere-se à finalização do quadro eleitoral para outubro. As definições sobre SP surtiram efeito e tendem a se fortalecer ainda mais; MG está em processo de finalização; resta fechar o RJ que é mais complicado e o RS que precisa acabar com as querelas locais e definir a candidatura da esquerda para o estado. Fechado esse circuito ficará aberto o espaço para propor um salto de qualidade na propostas para o Brasil futuro e Lula sabe como conduzir. Não tenhamos dúvida disso; inclusive para trazer para o jogo os empresários da indústria que precisam se desligar da federações que viraram feudo de poder político de alguns e não mais pensam em desenvolvimento produtivo e somente no ganho fácil das roletas da financeirização especulativa. E sem contar com o apoio da mídia corporativa que nunca haverá. Tem havido muita marola contrária, inclusive nas ” pesquisas” desacreditadas mas indutoras de resultados, e é para isso que foram contratadas por quem tem interesse contrário ao governo.
Jotinha mimadinhoponto...
1 de abril de 2026 9:43 amNassif é uma droga!!!Tento não vir aqui comentat mas cá estou!!!Nassifão não importa o projeto bom de Lula q nenhum outro oresidente fez!!! Lula para quase 30 por cento já é o mal sapo barbudo nove dedos!!!A discussão fica em cima do dito mal (Lula)enqianto os bolsonaristas fazem os estragos,a comunicação tem q ser em cima dos atos falhos antibrasil e antipovo deles!!!É o padrão ESPETA Lula e PASSA PANO BOLSO!!!Lembro q antes o pt era temido pq era a voz do povo a vos denunciante!!!Com o poder veio a crítica q o pt era radical por isso não conseguia fazer nada ,agora a crítica é pq se alia muito e mesmo assim não consegue fazer muito AFF vão lá bater o pênalti vcs AFF,VÃO PEGAR O CABO DA ENXADA E CAPINAR O MATO PRA VER COMO É GOSTOSO !!!
Veritas
1 de abril de 2026 10:42 am“O otimista pode até errar,
Mas o pessimista já começa errando”…
“Não nasci para ter ódio, nem rancores, nasci para construir.”
Juscelino Kubitschek
Eduardo Pereira
1 de abril de 2026 5:05 pmA dificuldade que persegue o Governo não é o Congresso, É a falta de comunicação do PT. São primarios no diagnostico e nas soluções. Quem pode falar, nesse governo são seus melhores quadros: Lula . Alckmim e o Haddad. A tebet tb tem moral. Não foi traira comoutros tantos. Todos eles fizeram muita coisa pra que a gente possa disputar e ganhar essa eleição. Ou seja, galera, vamos brincar de Ben-Hur e remar no compasso de abordagem e ir pra cima da direita fascista.
Norman
1 de abril de 2026 6:34 pmPelo andar da carruagem, os milicianos voltarão ao poder.
Fábio de Oliveira Ribeiro
2 de abril de 2026 10:57 amPara o mim o voto em Lula é inevitável. Nenhuma outra opção existe.
E no entanto não posso deixar de pensar no paradoxo de um líder que reúne a “velha guarda” do PT para “renovar o discurso eleitoral”.
Nenhum partido resiste ao envelhecimento.
Sem renovação o PT condenou a si mesmo à extinção.
Um Lula idoso correndo de um lado para outro e tentando dar uma imagem de juventude e vigor pode encangar a “velha guarda” do PT.
Mas a verdade é que o Brasil anda a passos largos para um perigoso vácuo.
O desaparecimento de Bolsonaro não significará nada.
O desaparecimento de Lula, algo inevitável, provocará uma imensa crise que a falta de renovação do PT irá apenas agravar.
A velharada que domina a política não quer dar espaço para ninguém. E ninguém jovem tem realmente força ou estômago para lutar contra a gerontocracia, exceto talvez veadinhos de extrema direita como Nicolas Ferreira e outros.
O Brasil era um país de jovens, virou um país de velhos governado por gente ainda mais idosa. Em algum momento as ilusões construídas pela esquerda e pela direita irão se desfazer e ficaremos todos confinados num asilo governado por velhos senis ou pior por crianças fanáticas malvadas e sanguinárias, uma versão tupinuquim de Children of the Corn.